Por trás do conceito de Objectives and Key Results (OKR) – ou, em português, objetivos e resultados-chave – há uma conexão crucial com a cultura empresarial. De maneira simples, essa metodologia define os rumos de uma operação por meio dos objetivos que estabelece. Tornar-se líder de mercado, equilibrar as finanças, superar recordes de vendas e impactar positivamente os clientes são exemplos de objetivos comuns a muitas empresas.
Os resultados-chave, por sua vez, permitem avaliar o progresso da operação em relação aos objetivos estabelecidos. Portanto, os KRs precisam ser claros, quantificáveis e mensuráveis. Por exemplo, para uma empresa cujo objetivo é consolidar sua posição no mercado de tecnologia, um resultado-chave crucial pode ser o aumento do número de clientes. Se a operação conquistar 500 novos clientes em um trimestre, isso demonstra um avanço significativo em direção ao objetivo estabelecido.

É fundamental compreender que a metodologia de OKR é uma ferramenta de comunicação essencial para culturas organizacionais baseadas em autonomia alinhada com propósito. “Se os OKRs refletem as prioridades operacionais e garantem o alinhamento, não devemos iniciar nenhuma reunião sem saber qual OKR iremos discutir”, destaca George Eich, CEO da CoBlue OKR, em uma conversa com o Clube Mundo do Marketing.
Construir um OKR eficaz envolve compreender a origem dessa metodologia, que se baseia no modelo de gestão orientada por objetivos (MBO). Em suma, os objetivos operacionais são o foco central, pois são eles que orientam a definição de metas e resultados-chave. “O objetivo é sempre definido em períodos mensais, trimestrais e, em alguns casos, anuais. Escolher a frequência certa é crucial para garantir que os OKRs permaneçam relevantes ao longo do tempo”, sugere o CEO.
Além disso, é importante estabelecer conexões significativas entre objetivos e resultados-chave, que devem indicar progresso ou desvio em relação aos objetivos. “Os objetivos devem ser avaliados por meio de um conjunto de dois a cinco resultados-chave. Ter apenas um resultado-chave não justifica um OKR, e ter mais de cinco pode dispersar o foco. Portanto, é essencial incluir apenas os resultados-chave mais relevantes”, conclui Eich.

Implementar e manter uma rotina baseada em OKRs é um processo de longo prazo. Ao longo dessa jornada, as empresas podem colher benefícios como alinhamento, uma cultura orientada a resultados e alto desempenho. No entanto, é comum cometer equívocos, como adotar uma abordagem de avaliação no final do ciclo. “Um modelo comum em grandes empresas é definir objetivos e, ao final do ciclo, avaliar o desempenho. Isso pode ser corrigido com avaliações periódicas dos resultados-chave”, destaca Eich.
Outro erro comum é estabelecer OKRs que não refletem as verdadeiras prioridades operacionais. “Durante reuniões de avaliação, é comum ouvir que certas tarefas foram realizadas em detrimento dos KRs estabelecidos. Se essas tarefas são tão importantes a ponto de interferir nos OKRs, elas deveriam ser incluídas. É crucial entender quais são as prioridades reais”, finaliza o CEO.
Durante a conversa com o Clube Mundo do Marketing, George Eich compartilhou outros erros comuns na implementação de OKRs e destacou os elementos que tornaram essa metodologia tão popular entre as empresas do Vale do Silício.